
É câncer,
mas veio do amor.
Se instalou assim, devagarzinho no colo possuído
e dominou tudo... Quanto amor!
Foi a expressão máxima da dicotomia,
que realizou toda sua dialética
num jogo de vida e morte.
Mas sem isso
não teria nada.
Sem dor não se sente o amor
tá tudo contraposto num atrito sem fim
numa dependência eterna.
E quando findar
que não se acabe tudo
a cicatriz perpetua a dor,
e vai mantendo o amor
E quanto amor!
Vão te tirar esse câncer
vão arrancar tudo, sim
mas não deixe arrancarem o amor
este já dominou tudo
numa metástase sem volta.
Sem a morte, a vida não existiria
viva, menina, toda essa sua loucura transbordante
todas suas dúvidas elucidantes,
toda vida que te existir.
A dor que te vier, viva como se fosse a mais profunda
pois daí só pode sair felicidade
Sai sorrateira iluminando toda fresta que lhe mostrarem
inundando todo seco, afogando toda escuridão.
Acredita
você tem tudo pela frente
e não é agora que vai acabar, não
a vida está aí
te mostrando as dores para você se apoiar
e poder desfrutar uma monstruosa alegria
uma eterna paz.
Árvore da Esperança - Frida Kahlo




