
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Epitáfio nº 30

La Danse de Henri Matisse
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Colagens

terça-feira, 23 de novembro de 2010
Carta de Buenos Aires 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Comparações contraditórias

Estudaremos os mais vistosos livros e debruçaremos toda nossa vida em cima daquilo que é válido. Este foi selecionado pelas gerações passadas, que por serem passadas são mais vividas e, como nossos avôs, dizem-nos as verdades, sem a necessidade de sermos atingidos por uma faísca qualquer de realidade. Aceitamos, não tão passivamente, é certo, aquilo que foi ditado e utilizamo-nos das armas que temos para contradizer aqueles que descansam em paz: Palavras.
Mas o que resta aos letrados senão continuar com seu legado? Fixamo-nos em patamares de defensores da humanidade, perpetuando as letras, os pensamentos, as especulações para salvar o homem da poeira orgânica. De que serviria a razão se não houvesse seus escudos? A razão nos diferencia de todo o resto universal. Ficaremos, portanto, encarcerados ao eterno universo abençoado das Palavras.
A Arte, rainha das ações humanas, nos salva do vício que nos são as letras. Sua proteção, porém, recaí sobre a mesma doença. Aprecia-se um Da Vinci entre câmeras de segurança máxima, após ter pago o ingresso de entrada. A entrada para o paraíso. Não se pode culpar o artista, por certo, mas toda a sociedade construída que se utilizou da Arte, explorando-a. Mas se Da Vinci renascesse hoje, venderia sua obra?
O que são nossos antepassados brilhantes se não humanos? O que são as palavras consagradas senão mais idéias – amadurecidas, talvez, em conversas de botequim, numa taverna qualquer. O homem se separa de tudo que lhe é comum e cria degraus invisíveis e diferentes graus de importância para tudo o que vive, vê e sente. Somos grandes etiquetadores de vivência, por isso, talvez, o capitalismo tenha dado tão certo em nossa sociedade.
Conseguimos catalogar os melhores escritos, os mais bonitos quadros, as mais válidas teorias. Não foi encontrado, porém, a força mãe que valida todas essas construções. Afinal, o que é verdade? Rumamos perdidos na busca de um caminho que oriente todo o caos criado paulatinamente. Mas que nos garante que não foi sempre assim? As diferenças criadas são base para a convivência humana?
Penso, então, na forma. A boca que emite o som. As palavras podem ser consideradas a melhor forma de revolucionar mundos. A arte da retórica existe e se aplica, tentando convencer o mais cético dos céticos. O beijo, porém, é o ato supremo da boca. Sem dizer nada expressa os sentimentos de forma pura. Não há Palavra no Beijo. O beijo é a sua ausência. Vê-se no beijo um ato puramente humano, que abrange toda a escadaria do explicável, escancarando a porta do inexplicável.
Excluem-se, no entanto, a concomitância dos atos. Fala-se ou Beija-se. O homem vem calcando suas construções na arte da fala. Porém, o beijo desconstrói qualquer argumento racional e abre alas à (ir)realidade. Pode-se tentar teorizar o beijo, mas sua eficácia está longe das palavras. Trata-se, pois, de escolhas. O beijo deve representar toda desconstrução das barreiras concretadas e reforçadas durante os séculos. Deve representar a sensibilidade humana e o reconhecimento do próximo como igual – em todas as suas diferenças.
Opto pela revolução do Beijo, sem conseguir deixar de lado as palavras que me escapam pelos dedos.
Torre de Babel - Sônia Menna Barreto
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Abraços continuados (Entre-nós)

sábado, 7 de agosto de 2010
Círculo

segunda-feira, 19 de julho de 2010
Acúmulo

Talvez me adapte melhor no preto, na escuridão. Essa luz, de olhar nos olhos, de cegar, incomoda os pensamentos que vêm escuros, temendo o claro. São tantos os que temem a luz. Temo o que não conheço, logo, toda a exatidão e clareza me são estranhas. Não está na pele... Há tanto que não sei o que é certo. Talvez o que pensei que fosse, era apenas uma teoria colocada que, afastada pelos sentimentos – fortes e robustos, malvados, até, pois dominam encoleirando-nos –, se desfez tão rápido que me tirou qualquer sombra de certeza, qualquer linha reta, transformando meu mundo numa bola gigante, tal como ele é, tal como foi feito.
O que consigo fazer agora é despejar as tantas palavras desconexas que me foram ensinadas desde minha juventude. E que bobagem é essa? Foram-me ensinadas desde meus primórdios, visto que não sou nada além de uma continuação de carne, pêlos e um punhado de pensamentos, estes utilizados para a tentativa de construir o certo. Se precisamos construir o que não está pronto e acabado, nunca poderemos saber se a obra toda é correta. Se está de pé, suporta, está apropriada. Se cai, desaba, aprende-se com o erro, continuando aquela construção de tanta argamassa que sufoca.
Prefiro o que cai. O que está de pé vai cair um dia, ora, se não foi estudada as leis da gravidade, outra construção que ainda está sendo sustentada por suportes fortes, e talvez até caia como a maçã que lhe serviu de inspiração. Se vai cair, prefiro que seja na construção para não desabar com o tudo dentro. Tantas vezes cai. E dói se quebra muito. A dor é um sentimento engraçado. Nem sei mais como é, a gente se acostuma, acha que é normal e fica assim. A dor é engraçada por que refutamos e até ela, também forte e robusta, deve se afinar depois de tanto preconceito.
Eu me prendi numa construção que não tem fim. Sim, exatamente como todas as outras. Mas como sou eu quem está presa, tenho a impressão de infinitude única, como se todo o universo fosse só meu, como se todo o sentimento fosse só meu. As histórias se repetem tanto que fica chato viver, é só copiar. Então finjo estar sozinha, sem mais nenhuma história, escrevendo um drama inédito, inexplicável, inexorável, inefável. Jogo toda essa jurisprudência fora, esses exemplos de medo, essas construções prontas em que me comparo para ver se dá certo. E novamente chego à maldita certeza, que não é sentimento forte e robusto, pois me é muito miúdo dentro de mim.
O medo é o mais vistoso. É o filho primogênito, aquele que foi protegido contra todas as pragas, com sangue de novilho puro em portas de bambu. Ele sobreviveu às sete pragas, à queda das antigas civilizações, à era das revoluções, a toda história. Os que o venceram, viraram ícones no museu de cera, ou em qualquer quadro pintado, empoeirando num museu longe daqui. Mas o medo, esse não precisou de estátua, pois vive em todos nós. Em especial a mim (e não poderia ser de outra forma, visto minha explícita alienação), foi cultivado graciosamente e na época da matança, foi perdoado e adotado, pois era gordinho de dar dó.
Ele, com seus braços fortes, ajudou-me a construir minha muralha que tem ferro, dos mais fortes. Todos os que batem se machucam e eu vejo tudo por cima da escadaria. Rolo de rir pelos degraus construídos, escondendo a dor – que já é de casa – de estar aprisionada. Rio o riso dos desesperados. Aprendi, porém, a controlá-lo e, depois de alinhar meu sorriso, utilizo o desespero como arma. Mas tudo me pesa, são tantos os armamentos. E reflito, então, se me é válida a leveza, abandonando tudo. O que vale, o peso ou a leveza? Rio, rio. Nunca nem li o livro! Não me parece ser tão pesado assim.
Temptation of Saint Antony - Salvador Dali
terça-feira, 1 de junho de 2010
Libertação

segunda-feira, 17 de maio de 2010
Despejos

quarta-feira, 5 de maio de 2010
Vida

domingo, 2 de maio de 2010
III - da rua
